Entretien avec Béatrice Tillier

L’invitation de Jean Dufaux pour dessiner “Le Bois des Vierges”, vous a-t-elle surprise?

Oui, car quand on croise un grand monsieur de la B.D., on se sent toute petite et presque indigne d’être abordée !! C’est un peu comme passer de l’autre coté du miroir : celui que vous avez tant lu étant adolescente se matérialise soudainement devant vous et vous propose d’être actrice du livre et non plus simple lectrice !

A ce moment-là vous avez dû refuser cet invitation. Comment a-t-il réagi?

Ce n’est pas tant que j’ai dû refuser cette invitation, je ne faisais que la différer. Mais Jean n’avait pas le temps d’attendre.

Mais le synopsis qu’il vous a envoyé, vous a-t-il plu ?

L’ambiance et l’époque me parlait, ainsi que le thème, mais j’ai été, dans un premier temps, surprise par le fait de devoir y inclure des personnages qui étaient des animaux, j’avais peur qu’on ne puisse pas s’identifier à de tels personnages, ni faire passer des émotions à travers eux. Je craignais également la comparaison avec l’univers de Disney et les B.D. animalières déjà existantes dont la qualité mettait la barre très haute. Continuar a ler

Entrevista com Béatrice Tillier

O convite de Jean Dufaux para desenhar “Le Bois des Vierges” surpreendeu-a?

Sim, porque quando nos cruzamos com um grande senhor da B.D., sentimo-nos muito pequenos e indignos e ser abordados! É um pouco como passar para o outro lado do espelho: aquele que tanto lemos quando eramos adolescentes materializa-se subitamente perante nós e propõe-nos ser actriz do livro e não mais uma simples leitora! Continuar a ler

Interview with Davide Gianfelice

In an interview you gave to Panini Brazil (publisher of Vertigo in Brazil), you said you were approached by Will Dennis (Vertigo Editor) to do some trial drawings for a new series about vikings (“Northlanders”). What was your reaction to that invitation? Did Brian Wood approved your work immediately? Did he make any suggestions?

I was only put in contact with Brian after I had confirmation from Will Dennis that I was participating in the project. After that, Massimo Carnevale (the cover artist), Brian and I worked diligently to come up with the graphic look of the first run of Northlanders, including tons of reference. Brian only gave me a loose layout of each page for the first issue. I think it was just to gain some confidence with how I like to work and to make sure the voice of the first issue came out clearly.

- How is it working with him? Does he have strict guidelines you have to follow or are you free to “translate” his text to pictures the way you think its better?

Brian has a very practical and analytical method of working. He uses a classic script with precise descriptions but without any exaggeration.
He left me very free to design how I wanted as long as we were following the same track. I must admit that I prefer this type of work. I like to be able to interpret a writer’s vision but still represent their vision. I truly enjoyed working with him.

How accurate is your depiction of the landscape, buildings, clothes and weapons in “Northlanders”? Did you have to do a lot of research? Were there any books, drawings or paintings that helped you to recreate the world where Sven lives?

The Internet was essential for finding the right references for this project. The most important part was finding the right look and to make sure that, when possible, it was accurate.
I did a lot of research using images from museums that I could not get to as well as groups who do recreations of that time period.
I also used military books and other paintings, mainly for representing Constantinople in 900 AD.

Along the story, a lot of hairy and bearded vikings come and go but all have distinct facial traits, they are easily recognisable. It shows you paid attention to those details. Was that a major concern to you, making each of them “individuals” and not just another norseman (or norsewoman)?

Yes, it was a main focus to make sure that all the principal characters to be unique individuals. In the case when it was more of a background character I tried to change their clothing accessories or hairstyles.
It was more difficult because with so much facial hair and beards you lose a lot of the facial features that makes someone unique so I had to pay extra attention.

After “Sven, the Returned” you came back to Northlanders some months later, with issue #20 (“Sven, the Immortal”). Did you do something different (I haven’t read it, yet)? Did you change anything in the layouts, in your style?

I believe some things did change, especially in the final results being in one issue, there are more details and the storytelling is more precise.
While working on Greek Street I matured certain characteristics of my style. This could be part of the reason that the style looks a bit different.
But with every project, I hope to mature and learn and improve as an artist.

The layout of “Sven, the Returned” is almost cinematic, with “widescreen” panels. And some panels have horizontal lines on the background that give a strong sense of fast action. Was it on purpose? Did you intend to make it look like a movie?

I really enjoy using wide screen panels because besides, as you said, giving it a cinematic look it also makes it more dynamic and fluid.
The reader is comfortable with this shot because it is always seen in the movies.
Also, comics and movies are two mediums that are very similar in how they deal with representations, besides one being on paper or projected.

The colors were done by Dave McCaig and I think he made a wonderful job. Would you like to have done also the coloring of “Sven, the Returned”?

I love Dave’s work. I think we worked extremely well together and his work was outstanding.
No, I am not a colorist and never had any thoughts of doing the colors. Dave’s work is above and beyond anything I could pull off.

Looking back, how do you see your work in  Northlanders?

Well, in some ways I feel that it still a little green in terms of my work. This is something that I usually feel when I look back at my work. Like I said, the more you draw the more you mature and become more sure of yourself.
On the other hand it is extremely beautiful and powerful. In fact, sometimes I like to look back at certain ideas I had that today I’m not sure if I would be able to find such an effective solution and think that sometimes your instincts gift you amazing things.
Northlanders was a fundamental project for me and my growth as an artist, besides that it was my first job for the US.
I am very attached to it and so happy to see that so many people are touched by and enjoy it.

Entrevista com Davide Gianfelice

Referiste numa entrevista à Panini Brasil, que Will Dennis (editor da Vertigo) te propôs fazeres alguns desenhos de teste para uma nova série acerca de viquingues (“Northlanders”). Qual foi a tua reacção a este convite? Brian Wood (o argumentista) aprovou de imediato o teu trabalho? Deu algumas sugestões?

Só entrei em contacto com o Brian depois de ter recebido de Will Dennis a confirmação de que ia participar no projecto. Depois disso, o Massimo Carnevale (autor das capas de “Northlanders”) e eu trabalhamos esforçadamente para conseguir um visual gráfico para o este primeiro ciclo de Northlanders e reunir toneladas de referências. O Brian não me deu mais do que uma planificação vaga de cada página. Julgo que foi apenas para ganhar alguma confiança com o modo como gosto de trabalhar e assegurar-se que a voz do primeiro número soasse com clareza.

Como foi trabalhar com ele? Havia um planeamento rígido que eras obrigado a seguir ou tiveste liberdade para traduzir o texto para imagens do modo que achasses melhor?

O Brian tem um método de trabalhar muito prático e analítico. Usa um guião clássico com descrições precisas mas sem exageros. Deu-me muita liberdade no design mas com a condição que seguissemos pelo mesmo caminho. Tenho de admitir que prefiro este método de trabalho. Gosto de poder interpretar a visão do argumentista mas ainda assim ser fiel à sua visão. Gostei verdadeiramente de trabalhar com ele.

Até que ponto é fiel a representação que fazes em “Northlanders” das paisagens, construções, roupas e armas? Tiveste de fazer muita pesquisa? Houve alguns livros, desenhos ou pinturas que te tenham ajudado a recriar o mundo em que vive Sven?

A internet foi essencial para encontrar as referências certas para este projecto. O mais importante foi encontrar o visual correcto e assegurar que fosse fiel, dentro do possível. Fiz muita pesquisa e usei imagens de museus onde não pude ir e também de grupos que fazem recriações daquela época. Também utilizei livros militares e pinturas, sobretudo para representar Constantinopla em 900 D.C.

Ao longo da história, vemos muitos personagens barbudos e cabeludos mas todos têm traços faciais distintos, são facilmente reconhecíveis. Foi uma preocupação que tiveste, torná-los indivíduos e não apenas mais um, ou uma, viquingue?

Sim, foi um ponto importante assegurar que os personagens principais fossem bem individualizados. No caso dos personagens mais secundários, tentei mudar os acessórios do seu vestuário ou o estilo do penteado. Foi mais difícil porque com tanto cabelo e barba perde-se muito das características faciais que tornam o rosto de cada pessoa único. Portanto, tive de ter uma atenção redobrada com isso.

Depois de “Sven, the Returned” regressaste a “Northlanders” no nº 20 (“Sven, the Immortal”). Fizeste algo diferente? Mudaste alguma coisa na planificação ou no estilo?

Julgo que algumas coisas mudaram sobretudo porque, sendo um número único, há mais pormenores e a narrativa é mais precisa. Enquanto trabalhava em Greek Street, amadureci algumas características do meu estilo. Isto pode ser parte da razão porque o estilo é um pouco diferente (de “Sven, the Returned”). Mas a cada projecto espero amadurecer, aprender e melhorar como artista.

A planificação de “Sven, the Returned” é quase cinematográfica, com vinhetas em formato panorâmico. Algumas dessas vinhetas têm linhas horizontais no fundo que transmitem uma forte sensação de acção e dinamismo. Isso foi propositado? Pretendeste dar-lhe este aspecto de filme?

Gostei muito de usar vinhetas panorâmicas porque para além de, como disseste, darem um ar cinematográfico também têm mais dinamismo e fluidez. O leitor sente-se confortável com este formato porque é o que se vê nos filmes. Além disso, a BD e o cinema, mesmo sendo uma em papel e a outra projectada numa tela, são duas artes bastante semelhantes no modo como lidam com aquilo que representam.

As cores são da responsabilidade de Dave McCaig e, na minha opinião, ele fez um trabalho maravilhoso. Gostavas de também ter sido o responsável pelas cores de “Sven, the Returned”?

Adoro o trabalho do Dave. Acho que a nossa colaboração correu extremamente bem e o seu trabalho é extraordinário. Eu não sou colorista e nunca pensei em tratar das cores. O trabalho do Dave está acima e para lá de qualquer coisa que eu tivesse feito.

Em retrospectiva, como vês o teu trabalho em Northlanders?

Bem, em algumas coisas sinto que é um trabalho ainda um pouco “verde”. É algo que normalmente sinto quando vejo os meus trabalhos anteriores. Como disse, quanto mais uma pessoa desenha, mais amadurece e mais segura de si se torna. Por outro lado, acho que é extremamente belo e poderoso. Na verdade, por vezes gosto de olhar para trás, para algumas ideias que tive, e não tenho a certeza que hoje fosse capaz de encontrar uma solução tão eficaz. Julgo que às vezes a nossa intuição nos presenteia com coisas espantosas.Northlanders” foi um projecto fundamental para mim e para o meu crescimento como artista, além de ter sido o meu primeiro trabalho para os EUA. Estou muito ligado a ele e bastante feliz por ver que teve impacto em tanta gente e que é bastante apreciado.

Entrevista com Jo Fevereiro

Jo Fevereiro é um artista e publicitário nascido em S. Paulo, em 1950, filho de pais portugueses. Com apenas 15 anos colaborou com Nico Rosso, desenhador italiano sobejamente conhecido pela sua produção abundante e variada de quadrinhos, desenhando e fazendo a arte-final de muitas BDs.

Entre 1968 e 1988 trabalhou no Brasil, sempre em publicidade. Foi director artístico, criou uma sociedade em estúdio, colaborou com argumentos e desenhos de BDs para as editoras Vecchi, Ebal, Ondas e Grafipar (nomes também conhecidos em Portugal pois chegavam cá muitas revistas por elas publicadas), ilustrou livros didácticos e também chefiou o departamento de arte da Imprensa Oficial do Estado de S. Paulo. Continuar a ler