Pixu, a Marca de Bá e Moon
O título desta crónica é um pouco abusivo e injusto já que Gabriel Bá e Fábio Moon são apenas metade da autoria de Pixu. No entanto, e sem desprezar os méritos de Becky Cloonan (clique aqui para ler sobre DEMO) e Vasilis Lolos, decidi dar destaque a estes gémeos, cuja carreira está numa fase ascendente, porque depois de ler Pixu procurei outras obras deles e fiquei fã do seu trabalho.
Para já, o que significa Pixu? É, e passo a citar, “a marca do Mal que prenuncia morte iminente”.
Nesta BD, a história decorre dentro de uma casa, tal como em alguns filmes de terror. É um cenário clássico que permite definir bem um determinado espaço e um grupo de personagens. Esta casa aloja várias pessoas e também algo que, tal como uma semente, lá foi plantado e se vai desenvolvendo, tomando insidiosamente conta do lugar e dos inquilinos durante esse processo. Na banda desenhada não é possível recorrer a sons ou movimentos para causar sustos, portanto aproveita-se o melhor que este meio de expressão tem: a sugestão. A arte, num contrastado P&B executado a quatro mãos por Becky Cloonan, Vasilos Lolos, Fábio Moon e Gabriel Bá, é feita de pinceladas e traços negros, e cria a atmosfera visual adequada a um relato sombrio como este, fazendo com que a nossa atenção se foque no essencial, a história. O argumento vai-nos apresentando aos poucos os personagens dedicando um capítulo a cada um para mais à frente os ir juntando numa comunhão de horror. São sete os habitantes desta casa:
Kalos tem um cuidado obsessivo com a higiene pessoal (“A limpeza está próxima da divindade”, diz para si mesmo). Intui que algo está a acontecer e tenta preparar-se para o que quer que seja que está para chegar. Claire, num momento de fúria, expulsa do apartamento o seu namorado, Omar. Como consequência deste acto vai tornar-se vítima do “Mal”. Castillo, que perdeu a mulher há um ano devido a um segredo horrível que esta descobriu, tem uma relação no mínimo dúbia com a pequena Katerina, neta do seu vizinho Cafard. Cafard tem no seu apartamento frascos repletos de conteúdos tão estranhos como peixes, cabeças de frango e raízes. Com estes elementos, Cafard confecciona preparados na sua cozinha e que podem estar relacionados com o que se passa nesta casa arrepiante. E há ainda Gunther, o senhorio, que tenta cobrar as rendas em atraso, pensando que esse é o seu maior problema. Estava enganado. Entre eles não há grande contacto ou comunicação, exceptuando o que acima é referido acerca de Castillo e Katerina. E é exactamente com Katerina que acontece um dos momentos de maior horror desta história, no seguimento deste diálogo:
Katerina: “(“Gostas de mim, avô?”)
Cafard: (“O que se passa, sementezinha?”)
Katerina: (“Parti o teu frasco.”)
Cafard: (“Apodreceste, sementezinha.”)
Katerina: (“Gostas de mim?”)
Cafard: (“Nunca gostei de ti.”)
Katerina: (“Gosto muito de ti, avô.”)
O que estamos a ler já são palavras que nunca deveriam ser trocadas entre avô e neta mas o que está a acontecer em simultâneo ainda é mais horrível.
Uma paulatina colocação em jogo de vários elementos como este aqui referido, propicia a criação de uma atmosfera malsã que percorre toda a trama e acaba por desembocar num final purificador (será?).
(Pixu: The Mark of Evil HC / 128 pgs / P&B / Dark Horse / US$ 17,99 / 01-07-2009)
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Fábio Moon e Gabriel Bá
Fábio Moon e Gabriel Bá são irmãos gémeos e nasceram em 1976 em S. Paulo, onde ainda vivem. Ambos são formados em Artes Plásticas e desde sempre trabalharam juntos. Criaram em 1999 o fanzine 10 Pãezinhos, nascido da sua vontade de contar histórias e partilhá-las com o resto do mundo. E o resto do mundo recebeu-os bem, tendo-os já premiado várias vezes. Receberam vários Eisner, uma das mais importantes distinções do mundo da Banda Desenhada, e no Brasil, a adaptação de O Alienista de Machado de Assis, mereceu o prémio Jabuti para “Melhor livro didático e paradidático para ensino médio ou fundamental”. A obra mais recente destes extraordinários artistas intitula-se “Daytripper” e é uma série em 10 números que está a ser publicada nos EUA pelo selo Vertigo da DC Comics. O terceiro nº saiu no dia 10 de Fevereiro e aconselho a quem estiver à vontade na língua de Shakespeare a procurar esta série na livraria especializada em quadrinhos mais próxima. Eventualmente, Daytripper será editado em português mas talvez seja difícil que isso aconteça antes de 2011. Ficam aqui alguns links para conhecer um pouco mais da obra de Fábio Moon e Gabriel Bá:
Blogue 10 Pãezinhos (português)
10 Pãezinhos no Flickr 17 págs. de Pixu (em inglês)











