Rugas é um relato acerca da doença de Alzheimer que Paco Roca criou com muito realismo e sensibilidade. Quase todos nós conhecemos alguém atingido por esta terrível enfermidade para a qual não há cura e que faz o que de pior pode acontecer a um ser humano: roubar-lhe a identidade. Através de Emílo, um bancário reformado que se vê colocado num asilo pelo seu filho e nora, acompanhamos a degradação progressiva que a doença de Alzheimer provoca. Lapsos de memória, dificuldades com coisas tão simples como usar um talher ou apertar os botões de uma camisa, alheamento completo da realidade são alguns dos sintomas vividos por Emílio e alguns dos outros habitantes do lar. Há também quem lá esteja apenas porque não tem família ou mais para onde ir, como é o caso de Miguel. Miguel, que se aproveita das debilidades dos outros idosos para conseguir que lhe entreguem alguns valores tem uma mente lúcida, faz de cicerone de Emílio e acaba até por se tornar seu amigo. Formam um par interessante. Emílio, à medida que a doença vai progredindo, vai precisando cada vez mais de ajuda e Miguel, debaixo de uma capa de alguma bazófia (não se sente “mais só dos que os que têm filhos” e porque é solteiro não precisa de se “preocupar com a velhice de ninguém”), acaba por ser o seu suporte. Juntos, tentam evitar que Emílo vá para o 1º andar, moradia daqueles para quem já não há esperança de subsistirem sem a ajuda de outrém.
Os temas tratados em Rugas são pouco agradáveis e com escassas hipóteses de um final feliz. Além da doença de Alzheimer, aborda-se também o abandono e a solidão dos idosos, o sentimento de inutilidade e a falta de vontade de viver. No entanto, a visão de Paco Roca consegue fazer-nos sorrir em alguns momentos e mostrar-nos que mesmo perante algo inevitável, há razões para lutar e aproveitar a vida em pleno, quanto mais não seja ajudando quem precisa.
Arg.: Paco Roca| Des.: Paco Roca
Editora: Bertrand (POR) | 03-2013 | 103 pgs | cor
Preço: 16,60€






